quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Que dia é hoje?



Que dia é hoje?

A casa em silêncio
Me acompanha a fumaça  do meu algoz
A xícara do café quente
O olhar que se vai sem rumo
Nunca vivi isso
Nunca vi silêncio tão fúnebre
Menos ainda dor tão fina, funda, seca
Acho que a morte deve ser assim
Gélida, fina, funda, seca, roxa
Insensível a tal ponto
Que dor  nem é mais dor
Dor é um vazio cheio de nada
Que devia estar doendo, gritando,
Brigando, cansando o dia da gente
Mas, se assim é e não é assado
Preciso fazer um novo começo sei lá do quê
Nascer de novo de útero eletrônico
Abdicar das entranhas e neurônios
Ficar com as memórias boas... que às vezes esqueço
E esquecer que fui oca, mas antes fui cheia,
E antes ainda fui nada.

3 comentários:

Cacau Braga disse...

Ah quanta tristeza! Estamos morrendo de saudades! Mas pelo menos posso ler você... que ótimo! Te amo muito!

Raphael Maul Lins disse...

hahaha! irado!

Regina Matavelli matavelli disse...

Aqui teremos como nosso cantinho nas horas especiais,muito lindo!!!!